Lóis Gonçalves
OS BASTIDORES DO SALÃO OVAL VISTO PELO RETROVISOR
Pelo retrovisorOS BASTIDORES DO SALÃO OVAL VISTO PELO RETROVISOR
Em uma passagem relâmpago pela Casa Branca, Flávio e Eduardo Bolsonaro tentaram vender a imagem de uma cúpula diplomática de alto nível. No entanto, relatos de correspondentes indicam que o encontro foi mais uma sessão de fotos do que uma reunião de trabalho.
O universo da política, muitas vezes, é alimentado por narrativas que flertam perigosamente com a ficção. O episódio mais recente envolve o senador Flávio Bolsonaro, seu irmão, o ex-deputado cassado, Eduardo Bolsonaro, e o comentarista Paulo Figueiredo. O trio desembarcou em Washington com um alarde digno de chefes de Estado, sugerindo que uma agenda extensa e profunda estava em curso com Donald Trump. Porém, a realidade dos fatos, trazida pela jornalista Raquel Krähenbühl, pintou um cenário bem menos glamoroso e muito mais "turístico".
Enquanto o entorno dos Bolsonaro tentava emplacar a ideia de uma reunião estratégica de 90 minutos para discutir o futuro geopolítico das Américas, o relato direto de quem acompanha o dia a dia da capital americana desmentiu o entusiasmo. A dinâmica descrita por Krähenbühl foi cirúrgica: o grupo entrou no Salão Oval, entregou documentos a assessores, posou para uma foto e saiu logo em seguida.A comparação feita pela repórter foi tão ácida quanto precisa
Diante disso, aquele momento lembrou mais uma criança tirando foto com o Mickey Mouse na Disney. Ou seja, um evento protocolar de segundos, focado na imagem e não no conteúdo, sem debate de pautas ou negociação real de um postulante ao posto maior do Estado Brasileito.
Analistas políticos apontam que o exagero sobre o encontro não foi por acaso. Além de alimentar a base de apoio nas redes sociais com a imagem de proximidade com o líder republicano, a movimentação serviu como uma clássica "cortina de fumaça". O objetivo secundário seria desviar o foco de temas domésticos espinhosos, como as recentes notícias que vinculam o nome do senador ao empresário Vorcaro. Ao inflar um encontro de corredor como se fosse uma conferência bilateral, os envolvidos utilizam a estética do poder para agitar a mídia e mascarar a falta de substância do alarde da agenda. No final das contas, o que ficou para a história não foram as decisões tomadas — já que elas não existiram — mas sim o esforço tremendo de transformar uma visita relâmpago no Salão Oval em um suposto grande evento para a política externa. Para o público, fica a lição de que, na era digital, uma foto pode valer mil palavras, mas nem sempre essas palavras são verdadeiras.
Por aqui, o principal alvo do trio, o atual presidente da Republica, Luís Inácio Lula da Silva, enxerga todos os adversários pelo retrovisor. Lentamente e progressivamente, vai tomando vantagem a cada pesquisa publicada rumo ao Palácio do Planalto pela quarta vez.
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