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Maua ,16/05/2026

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    Lóis Gonçalves

    SANGUE FRIO PELO PODER POLÍTICO


    SANGUE FRIO PELO PODER POLÍTICO Ataque súbito e certeiros características do sangue frio

    SANGUE FRIO PELO PODER POLÍTICO

    ​A engrenagem da política tradicional opera em um ritmo que ignora a digestão do eleitorado. Enquanto o cidadão comum consome o noticiário, avalia escândalos e calibra seu julgamento sobre as recentes crises que cercam a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro, os bastidores partidários não se dão ao luxo da espera. Na arena do poder, o tempo é um recurso escasso e a sobrevivência exige sangue frio. É nesse cenário de incertezas que a máxima do filósofo Arthur Schopenhauer se impõe com precisão cirúrgica: "Os animais de sangue frio são os únicos que têm veneno".

    ​Para Schopenhauer, o sangue quente representa o impulso e a paixão que explodem e se esgotam. O sangue frio, por sua vez, é a ausência de calor, o cálculo milimétrico e a premeditação. Na natureza, o tubarão é um exemplo perfeito desse sangue frio: uma criatura predadora que, de forma implacável e cirúrgica, sente o cheiro de sangue de longe e se move silenciosamente em direção à presa vulnerável. Transposta para o xadrez eleitoral, essa metáfora biológica revela o comportamento exato de aliados que, ao menor sinal de desgaste nas pretensões do clã, agem com pragmatismo gelado.

    ​Um exemplo prático dessa dinâmica é a movimentação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. De forma calculada, Zema dispara ataques estratégicos de bastidores com o objetivo claro de esvaziar e inutilizar a viabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro, pavimentando o terreno para ocupar o seu lugar como o nome principal da direita na corrida presidencial. Candidatos ao Legislativo e outras lideranças de direita equilibram-se na corda bamba, medindo o tamanho do fardo e do bônus de se manterem fiéis ao herdeiro político de Jair Bolsonaro ou se migram para a alternativa mineira. A lealdade, nesse meio, costuma durar até que a primeira pesquisa aponte queda nas intenções de voto.

    ​O perigo real para a liderança não reside no ataque barulhento da oposição, mas no movimento silencioso dos próprios aliados. O verdadeiro veneno político não é a fúria declarada dos adversários, mas o isolamento calculado por aqueles que farejam o sangramento das urnas e buscam assumir o protagonismo. Ficar em cima do muro significa morte política certa. Resta a parcela mais sensível do processo: o eleitor indeciso, que observa o campo e pune quem passa mais tempo se defendendo do que debatendo o país. O espetáculo atual mostra que as paixões dão lugar à frieza da sobrevivência.

    ​Nesse ecossistema implacável, o destino dos alvos está selado: as vítimas, se não morrerem subitamente pelo ataque voraz dos tubarões, agonizam lentamente, consumidas por um processo irreversível de degradação pública, tal qual o efeito da mordida de um dragão de komodo. O veneno da conveniência já foi injetado, e o preço do isolamento cobra seu valor histórico, pois é  nesse exato momento que os animais de sangue frio gostam de atacar.

    ​#PragmatismoPolitico #Eleicoes202 #XadrezEleitoral #Schopenhauer

    por Lóis Gonçalves, artista gráfico e ativista afro. Pesquisa e escreve sobre a política nacional com visão crítica, promovendo o conhecimento geral e o letramento racial através de informações de relevância pública.




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