Figura de Lula será testada em medidas contra facções, diz Dharma Politics
A decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas colocou o governo em uma posição delicada, especialmente em um ano eleitoral. Ao WW, o CEO da consultoria Dharma Politics, Creomar de Souza, avaliou que a própria figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será testada na forma como o governo responderá a essa classificação daqui para frente.
Integrantes do governo e do PT passaram a afirmar que a medida americana representa mais uma ação da oposição contra os interesses do Brasil. Creomar, no entanto, avalia que a questão vai além do argumento da soberania nacional, exigindo uma resposta política e comunicacional mais consistente.
Capacidade de articulação como variável central
Segundo o CEO da Dharma Politics, a eficácia da resposta do governo dependerá de duas variáveis principais. “A primeira delas é a capacidade que o governo tem de articular uma resposta”, afirmou Creomar.
O especialista destacou a dificuldade histórica do PT em lidar com o tema da segurança pública, lembrando que o governo já apresentou, “a trancos e barrancos”, uma discussão sobre nova legislação para equalizar as dinâmicas de segurança pública no Congresso.
Creomar analisou os sinais, nos bastidores, de que o governo poderia abraçar novamente o argumento da soberania como resposta à classificação das organizações criminosas como terroristas pelos Estados Unidos. A questão é se essa estratégia funcionaria no atual contexto político.
Exemplos hemisféricos: México e Colômbia
Para ilustrar os caminhos possíveis, Creomar trouxe dois exemplos da América Latina. De um lado, citou Claudia Sheinbaum, presidente do México, que, segundo ele, “tem até aqui conseguido manobrar o assédio, por assim dizer, da Casa Branca e transformado isso em decisões razoavelmente firmes e popularidade”.
De outro, apontou o caso da Colômbia, cujo governante “foi entrando em uma espiral de ‘conflitividade’ com os Estados Unidos, que custou muito a ele” e pode resultar em uma eleição presidencial com um sucessor radical à direita.
Para o CEO, esses exemplos mostram que a resposta do governo brasileiro precisará ser bem gerida tanto no campo da comunicação quanto na dinâmica política. “A gente vai ter que observar como essa resposta vai ser gestada no campo do marketing, da comunicação, e também no campo da dinâmica política de homens de Estado”, concluiu o analista.
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