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Maua ,13/05/2026

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    Lóis Gonçalves

    DESINFORMAÇÃO E A MIOPIA COLETIVA: O TEATRO DO ABSURDO NA POLÍTICA BRASILEIRA


    DESINFORMAÇÃO E A MIOPIA COLETIVA: O TEATRO DO ABSURDO NA POLÍTICA BRASILEIRA A importância do conhecimento real

    DESINFORMAÇÃO E A MIOPIA COLETIVA: O TEATRO DO ABSURDO NA POLÍTICA BRASILEIRA

    A democracia brasileira enfrenta um paradoxo onde a estrutura institucional, desenhada para a estabilidade, é ignorada em favor de narrativas fantasiosas. Enquanto órgãos reguladores mantêm sua composição técnica, o debate público se perde em conspirações sem lastro na realidade administrativa do Estado. O foco em teorias infundadas desvia a atenção de questões financeiras e políticas urgentes que moldam o futuro do país.

    ​A estrutura de governança da Anvisa é um exemplo clássico de como a estabilidade institucional deveria blindar o Estado de interferências ideológicas momentâneas. Com mandatos fixos de cinco anos, os diretores possuem a segurança jurídica necessária para agir com isenção, independentemente de quem os indicou. O fato de a maioria do colegiado ter sido nomeada e ratificada pelo Senado Federal é o maior argumento contra as teses de "aparelhamento" ou "conspiração" que circulam nas redes. Se houvesse uma orquestração oculta, o silêncio daqueles que possuem estabilidade seria inexplicável sob a lógica da integridade técnica. No entanto, o barulho das redes sociais prefere ignorar o funcionamento das autarquias para alimentar o caos informativo, tratando a gestão pública como um tabuleiro de ficção onde a realidade dos fatos é o primeiro sacrifício.

    ​Essa desconexão com a realidade atingiu níveis alarmantes, evoluindo de metáforas infelizes sobre mutações para jacarés, um misticismo político bizarro que envolve orações a pneus e contatos imediatos com extraterrestres. É um espetáculo de entretenimento degradante que ocupa o espaço que deveria ser destinado à análise de temas complexos, como as movimentações do Banco Master ou as nuances da política econômica. O cidadão que se perde no delírio do detergente é o mesmo que ignora o impacto de uma taxa de juros ou de uma reforma tributária em seu bolso. Há uma inversão de prioridades onde o absurdo é normalizado para que o essencial permaneça nas sombras, especialmente em um ano em que as urnas decidirão os rumos das cidades e do país.

    ​A paixão dedicada ao futebol, com discussões acaloradas sobre convocações e táticas para a Copa de 2026, revela que o brasileiro possui capacidade de análise crítica e engajamento, mas escolhe aplicá-los no campo errado. Trata-se o "hexacampeonato" com uma seriedade quase religiosa, enquanto a escolha de representantes para os próximos quatro anos é feita sob o efeito de memes ou teorias da conspiração de WhatsApp.

    Se o rigor exigido de um técnico da seleção fosse aplicado à avaliação do currículo e das posturas de um candidato, o cenário político seria de excelência. Enquanto a política for vista como um fardo ou uma piada, e o futebol como a única coisa que importa, continuaremos a ser um país que ora para pneus enquanto o futuro é decidido por aqueles que lucram com a nossa distração coletiva.

    ​#PoliticaSeria #Anvisa #Cidadania #Brasil2026 #FimDaDesinformacao

    Lóis Gonçalves é artista gráfico ativista afro, pesquisa para analisar a política nacional com visão crítica. Sua produção promove o conhecimento geral e o letramento social através de informações de relevância pública.



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