Carol Nogueira
Quem é Carol Nogueira?
Comunicadora, colunista, ativista LGBTQIAPN+ e defensora das causas sociais, Carol Nogueira transforma vivência, resistência e posicionamento político em voz para mulheres, minorias e pessoas historicamente silenciadas
Carol Nogueira Nasci e fui criada em Mauá, no ABC Paulista. Sou filha de nordestinos e cresci em uma família simples, onde talvez não existisse muito dinheiro, mas nunca faltaram cuidado, amor e presença. Tenho um irmão mais velho e uma irmã, e desde cedo aprendi que a vida não costuma ser fácil para quem nasce na periferia e precisa lutar pelo próprio espaço.

Entre memórias, infância e sonhos: eu e minha irmã Kelly
Comecei a trabalhar aos 12 anos pela Guarda Mirim de Mauá. Ainda muito nova, já entendia a responsabilidade, o valor do trabalho e a necessidade de conquistar minhas coisas com esforço. Minha trajetória foi construída entre desafios, vivências e muita resistência.
Ainda criança, presenciei situações de violência doméstica, algo que marcou profundamente minha forma de enxergar o mundo e despertou em mim uma forte sensibilidade em relação à dor de muitas mulheres. Com o passar dos anos, essa consciência se transformou em posicionamento, luta e compromisso com causas sociais.
Em 2015, vivi um relacionamento abusivo que quase destruiu minha vida. Perdi minha saúde física e emocional, perdi emprego, bens materiais e precisei reaprender a existir depois de atravessar um dos períodos mais difíceis da minha trajetória. Sobreviver a isso mudou completamente minha forma de enxergar o mundo e fortaleceu ainda mais meu compromisso na luta contra o feminicídio e a violência doméstica.
A política sempre esteve presente na minha história. Meu avô, Francisco Domingos da Silva, foi vereador em Palhano, no Ceará, em 1942. A Câmara Municipal da cidade leva seu nome até hoje. Talvez por isso eu sempre tenha sentido a política tão próxima da minha vida. Quando criança, eu pegava santinhos políticos pelas ruas e brincava sozinha no quintal fingindo fazer campanha para pessoas imaginárias. Sem perceber, eu já construía ali meu amor pela política e pela comunicação.
Hoje utilizo minha voz para defender mulheres, população LGBTQIAPN+, crianças e pessoas que historicamente foram silenciadas. Gosto de falar de forma simples, direta e acessível porque acredito que a política precisa chegar em todas as pessoas, não apenas em quem vive dentro dos espaços de poder.
Minha trajetória nunca foi fácil. Enfrentei desvalorização, descrédito e pessoas que tentaram diminuir minha caminhada. Muitas vezes fui subestimada. Mesmo assim, continuei. Aos poucos, fui sendo reconhecida pelo meu trabalho, pela minha autenticidade e pelo compromisso que tenho com aquilo que defendo.

Um dos momentos mais marcantes da minha trajetória aconteceu quando recebi, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o Prêmio Maria Clementina de Souza, homenagem dedicada a mulheres que fazem diferença através da luta social. Receber aquele reconhecimento foi emocionante. Não esperava aquela homenagem, mas ela representou a confirmação de que minha história, minha luta e minha voz têm importância.
Ao longo da minha trajetória, também atuei como servidora pública na Casa do Hip-Hop de Mauá, um espaço que marcou profundamente minha caminhada pessoal e social. Foi ali que conheci diferentes histórias, vivências e realidades, ampliando ainda mais minha visão sobre cultura, periferia, juventude e transformação social.A experiência na Casa do Hip-Hop me ensinou muito sobre escuta, coletividade e resistência através da arte e da cultura popular.

Registro de uma época muito especial da minha caminhada na Casa do Hip-Hop de Mauá. Na foto: eu, o ex-coordenador Mano Rogério, o saudoso ex-secretário de Cultura Thadeu de Souza, o professor de dança Ronaldo e outros companheiros que participaram da última atividade do ano e também da última atividade que participei na Casa do Hip-Hop como funcionária.
Em 2026, durante o mês das mulheres, propus ao Partido dos Trabalhadores de Mauá a realização de uma caminhada contra o feminicídio. Para mim, não fazia sentido atravessar um período tão simbólico sem falar sobre a violência que continua tirando a vida de tantas mulheres diariamente. Em um dos meses com altos índices de feminicídio, senti que era necessário transformar indignação em ação. Minha proposta foi rapidamente acolhida pela vice presidente do partido Emerique, reforçando ainda mais meu compromisso na luta pela vida das mulheres.



caminhada contra o feminicídio o PT de Mauá
“Tentaram me silenciar através da dor, da violência e da desvalorização. Mas transformei cada cicatriz em força, cada queda em resistência e minha voz em luta por quem nunca teve espaço para ser ouvido.”



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