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Maua ,14/05/2026

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    Lóis Gonçalves

    O ENIGMA DA PRODUTORA GO UP ENTERTRAINMENT DE VALORES NÃO RECEBIDOS


    O ENIGMA DA PRODUTORA GO UP ENTERTRAINMENT DE VALORES NÃO RECEBIDOS Cada dia uma nova bomba

    O ENIGMA DA PRODUTORA GO UP ENTERTRAINMENT DE VALORES NÃO RECEBIDOS

    A discrepância entre os áudios do senador Flávio Bolsonaro e a nota oficial da produtora Go Up Entertainment levanta questionamentos que desafiam a lógica e a transparência. Enquanto a empresa nega qualquer repasse direto de Daniel Vorcaro, as evidências de pedidos vultosos de recursos sugerem um fluxo financeiro que transita por caminhos tortuosos. Ao compararmos as cifras solicitadas para o documentário com grandes marcos do cinema nacional, o cenário torna-se ainda mais alarmante.

    O documentário "Dark Horse", focado no atentado contra Jair Bolsonaro em 2018, transformou-se no epicentro de um escândalo que funde influência política e alta finança. O ponto nevrálgico da questão não reside apenas na negação da produtora sobre o aporte do dono do Banco Master, mas na magnitude astronômica dos valores que o senador teria solicitado ao banqueiro sob o pretexto de, supostamente, apenas finalizar a obra.

    Para dimensionar o tamanho do "abismo" financeiro, basta olhar para o mercado cinematográfico brasileiro:

    • "Ainda Estou Aqui": Obra aclamada e premiada em Veneza, teve um orçamento estimado em R$ 15 milhões.

    • "O Agente Secreto": Superprodução de ação dirigida por Kleber Mendonça Filho, contou com cerca de R$ 25 milhões.

    A soma dessas duas produções de altíssimo padrão técnico resulta em R$ 40 milhões. O valor é inferior ao que as investigações apontam ter sido pedido por Flávio Bolsonaro apenas para a conclusão de "Dark Horse". É uma realidade difícil de justificar: como um documentário — gênero com custos tradicionalmente menores que ficções de época ou filmes de ação — exige recursos tão vastos?

    A contradição se aprofunda no embate de narrativas: a produtora nega ter recebido "um centavo", enquanto o senador admite ter feito o pedido. Se o montante foi solicitado e a produtora afirma não o ter em mãos, o destino dessa verba e a real finalidade da captação tornam-se um enigma que a Polícia Federal agora tenta decifrar.

    Relatórios apontam que empresas que injetaram verba no filme receberam milhões de fundos ligados a Vorcaro. Essa possível triangulação sugere uma "engenharia financeira" que permite à produtora emitir uma nota tecnicamente correta, mas que omite a origem real do capital.

    Diante de tamanha desconexão com a realidade do mercado audiovisual, será difícil convencer qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico sobre a lisura do processo. A narrativa oficial tenta se sustentar, mas a verdade é que as cifras desafiam a lógica. Convencer a opinião pública sobre a normalidade desses valores será uma tarefa árdua — talvez tão difícil quanto tentar convencer aqueles que, em momentos de delírio coletivo, simularam tomar mamadeira de detergente, oraram para pneus ou buscaram contato extraterrestre para pedir ajuda contra supostas perseguições.

    A falta de transparência coloca "Dark Horse" sob uma névoa densa. Sem uma prestação de contas rigorosa, a obra corre o risco de ser lembrada não pela sua narrativa histórica, mas pelas sombras e cifras inexplicáveis que pavimentaram seu financiamento, que será necessário horas de avaliação dentro da "mansão de chocolate" para trazer uma justificativa convincente.

    #PoliticaSobSuspeita #TransparenciaNoCinema #DarkHorseEscandalo

    Lóis Gonçalves é artista gráfico e ativista afro. Pesquisa e escreve sobre a política nacional com visão crítica, promovendo o conhecimento geral e o letramento racial através de informações de relevância pública.




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