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Maua ,16/06/2026

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    Lóis Gonçalves

    CADA ENXADADA UMA MINHOCA O CRÔNICO DECLÍNIO DE UM EX-PRESIDENTE


    CADA ENXADADA UMA MINHOCA O CRÔNICO DECLÍNIO DE UM EX-PRESIDENTE Não há mais surpresas nesse caso

    CADA ENXADADA UMA MINHOCA O CRÔNICO DECLÍNIO DE UM EX-PRESIDENTE

    ​A trajetória pós-presidencial de Jair Bolsonaro confunde-se entre o drama político e a comédia pastelão. Diante de sucessivos escândalos que desafiam a gravidade institucional, o líder conservador transformou seu capital político em um enredo de erros grotescos. O que parecia uma retirada estratégica converteu-se em um folclore jurídico sem precedentes na história do país.

    ​O ditado popular "cada enxadada uma minhoca" ilustra com perfeição a rotina de revelações sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro desde a sua derrota eleitoral em 2022. Se a liturgia do cargo exigia uma transição pacífica, o que se viu foi o início de uma crônica tragicômica. A recusa em passar a faixa presidencial e a fuga repentina para os Estados Unidos anteciparam o ápice da crise: os atos de 8 de janeiro. A demora em retornar ao Brasil não foi um exílio voluntário altivo, mas o prenúncio de um embate jurídico inevitável.

    ​No centro da arena, o confronto com o ministro Alexandre de Moraes tomou contornos bizarros. Longe da postura de "leão" das redes sociais, as reações subsequentes flertaram com o deboche e o desespero. A aparente submissão em certos depoimentos alternava-se com piadas sobre candidaturas impossíveis, revelando um isolamento político profundo.

    ​Contudo, o ápice do ridículo institucional desenhou-se no cumprimento de sua prisão domiciliar. O episódio envolvendo a tentativa de fraudar a tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda — sob a alegação de "ouvir vozes" — transportou o debate político diretamente para as páginas de um realismo fantástico degradante. Não se trata mais de debate ideológico, mas de um caso evidente de perda de dignidade funcional.

    ​Como se não bastasse o histórico de trapalhadas, o mais recente capítulo adiciona contornos graves à sua situação de presidiário. A apreensão de uma arma de fogo, supostamente de sua propriedade, sob a posse de um segurança para a realização de reparos, escancara a completa afronta às restrições judiciais. Um detento, por óbvio, carece do direito ao porte de armas. Esse agravante acelera os trâmites para sua transferência a uma penitenciária de regime comum, sepultando de vez qualquer narrativa de perseguição heroica.

    ​O legado de Bolsonaro, portanto, descola-se da história dos grandes líderes e fixa-se no imaginário popular como uma figura física e comicamente caricata. Ao deixar as páginas da alta política para habitar o folclore policial, o ex-mandatário sela seu destino não como um incompreendido, mas como o protagonista de uma das eras mais bizarras da República.

    ​#PoliticaBrasileira #Bolsonaro #Justica #JornalismoCritico #HistoriaDoBrasil #DebaclePolitica



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