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Maua ,01/07/2026

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    Lóis Gonçalves

    O VOTO NÃO TEM PREÇO E A DEMOCRACIA NÃO SUPORTA A EXCLUSÃO SOCIAL


    O VOTO NÃO TEM PREÇO E A DEMOCRACIA NÃO SUPORTA A EXCLUSÃO SOCIAL Aporofóbica nome estranho com resultados ainda piores

    O VOTO NÃO TEM PREÇO E A DEMOCRACIA NÃO SUPORTA A EXCLUSÃO SOCIAL

    A tentativa de vincular a cidadania ao poder aquisitivo ignora que a democracia se sustenta na igualdade absoluta de seus membros. O Ministério Público de São Paulo acendeu um alerta crucial ao processar um influenciador por sugerir que pessoas de baixa renda percam o direito ao voto, reforçando que os direitos políticos são inalienáveis e imunes à segregação econômica.

    O debate sobre quem tem o direito de escolher os rumos de uma nação ganhou contornos polêmicos e jurídicos nos últimos dias. A recente ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra o influenciador Leonardo Marcondes trouxe à tona uma discussão que muitos consideravam superada: a tentativa de criar barreiras econômicas para o exercício do voto. Ao defender em vídeo que pessoas pobres não deveriam votar, o criador de conteúdo ativou uma reação firme do órgão de controle, que exige a remoção do material, a exclusão de seu perfil e uma indenização de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social. A empresa Meta, responsável pelo Instagram, também figura como ré no processo.

    Na maioria das vezes, os vídeos publicados por esses influenciadores têm um objetivo puramente comercial: obter engajamento rápido nas redes sociais através de questões altamente controversas. Eles se utilizam de um ambiente descontraído, muitas vezes fingindo informalidade, para expor verdadeiras diarreias verbais carregadas de preconceito isolado. Essa estratégia busca disfarçar o absurdo por trás de uma tela amigável, pois os autores sabem que, em uma banca séria de debate ou em um ambiente acadêmico fundamentado, jamais conseguiriam sustentar tamanha bobagem ideológica sem serem amplamente desmascarados.

    Essa mentalidade, classificada pela Promotoria como aporofóbica — termo que define o preconceito e a aversão pelos mais necessitados —, expõe uma ferida histórica. A pobreza já impõe uma rotina severa de privações diárias. Quando o ódio e o elitismo entram em cena disfarçados de conteúdo digital para tentar reduzir os direitos democráticos dessa população, o objetivo fica evidente: blindar os privilégios das classes mais abastadas e silenciar as demandas das periferias.

    O fenômeno se alimenta de uma lógica polarizada de "nós contra eles". Tudo o que foge do padrão da elite econômica passa a ser enxergado como uma ameaça. É nesse cenário que surgem discursos que tentam erguer barreiras invisíveis de separação social, flertando com retrocessos, como a misoginia, o racismo e a intolerância religiosa, frutos de uma ignorância profunda sobre a evolução humana.

    Nos autos do processo, o Ministério Público foi categórico ao lembrar que o sufrágio universal é a expressão máxima da cidadania. A Constituição Brasileira estabelece que o valor do voto de um cidadão bilionário é exatamente o mesmo do voto de quem vive em vulnerabilidade. O critério econômico não ditará quem participa das decisões do país, pois uma nação que escolhe a renda de seus eleitores deixa de ser democracia e se transforma em oligarquia.

    #DemocraciaParaTodos



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